domingo, 20 de fevereiro de 2011

metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

letras portuguesas, concertezas

Três edifícios portugueses entre os melhores do mundo

O edifício da Vodafone no Porto, a Closet House, em Matosinhos e o bar temporário da Faculdade de Arquitectura do Porto, foram distinguidos pelo site de arquitectura “Arch Daily” com o prémio de “melhor edifício do ano 2010”, em categorias distintas.

Parabéns a todos. os outros também.
Estes em especial:

José António Barbosa e Pedro Guimarães
Consexto
Diogo Aguiar e Teresa Otto

ver notícia completa:
http://www.publico.pt/Cultura/tres-edificios-portugueses-entre-os-melhores-do-mundo_1480450#

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sr. Valentim,

“(…) Em empresas muito centralizadas e com uma divisão de tarefas profundamente marcada, a organização do trabalho faz com que o individuo perca a sua individualidade, passando a ser apenas uma peça dispensável de um máquina. Podemos formular o problema humano do capitalismo da seguinte forma:
O capitalismo moderno precisa de uma grande quantidade de homens que colaborem sem levantar problemas, que queiram consumir cada vez mais, e cujos gostos estejam nivelados e sejam altamente influenciáveis e previsíveis. Precisa de homens que se sintam livres e independentes, que não se sintam sujeitos a qualquer autoridade, princípio ou consciência – e que contudo queiram ser chefiados, cumprir exigências e ocupar o seu lugar na maquinaria social sem atritos; que possam ser comandados sem recorrer à violência, chefiados sem chefes e motivados sem objectivos, com o objectivo único de ter um bom desempenho, de estar em constante movimento, de funcionar e de progredir.
Qual é o resultado? O Homem moderno esta alienado de si mesmo, dos seus semelhantes e da natureza. Ele transformou-se num matéria-prima e vive como se a sua vida fosse um investimento para lhe dar o maior lucro possível sob as condições de mercado presentes. As relações humanas são essencialmente relações entre autómatos alienados, e a segurança de cada um depende de estar inserido na manada e de não ter pensamentos, sentimentos nem acções diferentes. Embora todos tentem aproximar-se o mais possível, todos estão sós, dominados pela profunda sensação de insegurança, ansiedade e culpa que resulta da impossibilidade de se ultrapassar a separação entre homens.(…)”

“A felicidade do Homem consiste em divertir-se. E divertir-se consiste em consumir e aproveitar matérias-primas, paisagens, comida, bebida, cigarros, pessoas, conferências, livros, filmes – tudo é consumido e engolido. O mundo é apenas um objecto, um enorme biberão, um enorme seio; nós como bebés, num estado de eterna expectativa, somos os esperançosos – e somos também eternamente desiludidos. O nosso carácter está programado para trocar e para receber, para negociar e consumir, tudo, dos objectos materiais aos espirituais, se transforma num objecto de troca e de consumo.
A situação no que diz respeito ao amor corresponde, necessariamente, a este carácter social do Homem moderno. Os autómatos não sabem amar; podem apenas trocar a sua “programação de personalidade” e esperar ter mais sorte com o produto novo.(…)”


A arte de amar. Erich Fromm, 2002

letras desoladas

o mussulo ontem.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

letras fabris

hoje, fabrica nova sotecma. Luanda