segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Coração sem imagens

Deito fora as imagens,
Sem ti para que me servem as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te pelo vento,
que está em toda a parte
e cuja direcção é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me
ao eco dos teus passos numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

Raul de Carvalho

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

letras desenhadas



BLU

sábado, 20 de setembro de 2008

letras (des)amorosas



o bairro do amor foi feito a lápis de cor
pra gente que sofreu por não ter ninguém

(...)
no bairro do amor há quem pergunte a sorrir
será que ainda cá estamos no fim do Verão

(...)
no bairro do amor cada um tem de tratar
das suas nódoas negras sentimentais

(...)
eu sei que tu compreendes bem

jorge palma . lena d'água . bairro do amor

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

letras perturbadas


Ah. Isso.
Era por isso que eu estava tão perturbado
esta manhã:
o meu desejo voltou
e quero-te novamente.
Estava a ir tão bem,
tinha ultrapassado tudo.
Os rapazes e as raparigas eram lindos
e eu era um velhote que amava toda a gente.
E agora quero-te novamente,
quero a tua absoluta atenção,
a tua roupa interior despida numa pressa
pendurada ainda num dos pés
e mais nada na minha cabeça
a não ser estar dentro
do único lugar
que não
tem dentro
nem fora.



perturbado esta manhã . leonard cohen . o livro do desejo

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

letras de longe, aqui pertinho



É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.

O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver.

Gabriel Garcia Marquez, pelas mãos de um amigo que sabe encurtar a distância, desta forma penetrante, mágica.

Obrigada.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

letras a(mel)ias

O Fado da Sereia


Serei, serei a sereia
A do pescoço doirado
Que no fio da sua voz
Te arrastava para o largo?
Serei, serei a donzela
Que em teu desejo aparecia
Sempre que à noite acordavas
Contra uma cama vazia?

Ai, ai, marujo, mareante
Porque te foste encerrar
Num barco à prova de encanto
Num barco à prova de mar?
Já das rotas me apagaste
E já o teu olhar não vê
Minha garganta nas rendas
Que me vestia a maré
Quem me tivera avisado
Que o amor de um marinheiro
É como os vícios do mar
É como o mar traiçoeiro
Que me deixavas trocada
Por mulheres que a terra dá
Mulheres de pernas cobertas
Por balões de tafetá

Ai tem, cautela, marinheiro
Que o mar é coisa ruim
E o amor de uma sereia
Não vai acabar-se assim
Que hás-de vir de novo à rede
De um amor que engana e mata
Que, à vista deste, outro amor
É cinza à vista da prata

Ai quem me dera que em vez
De filha do mar, me achasse
Rapariguinha solteira
Que nesse mar se afogasse

Ai quem me dera que em vez
De cantadeira do mar
Fosse eu mulher de viela
Para ainda me ouvires cantar.
.

Amélia Muge

domingo, 7 de setembro de 2008

letras tic tac








letras domingueiras



slow hands


Can't you see what you've done to my heart
And soul?
This is a wasteland now

interpol

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

letras do fim da semana



the cure . acústico